Especial

Coletivo EmCaixa leva teatro lambe-lambe aos parques de BH

De quantas caixas um homem é feito? Suas caixas são inclusivas ou excludentes?
Caixa profissional, caixa social, caixa de conhecimentos. Todo um universo em uma caixa cósmica. Caixas enormes, caixas menores, caixinhas: em qual você se encaixa?

Venho através da palavra escrita falar sobre um coletivo com caixas fantásticas. O Coletivo EmCaixa nasceu do Grupo Girino: especialista em teatro de bonecos, que de tanto ziguezaguear pelas narrativas de personagens com coração de pano sentiu a necessidade de dar suporte para o desenvolvimento de artistas que fazem o teatro lambe-lambe. Com isso, o grupo criou um curso de formação de caixeiros e desse curso se formaram quinze artistas. Os quinze integrantes do Coletivo.

O que é o teatro lambe-lambe? São espetáculos curtos, para um público reduzido de uma forma mais cúmplice – geralmente, cada apresentação é feita para apenas um espectador. Surgiu no Brasil, nos anos 1980, oriundo do teatro em miniatura.

O nome foi dado em homenagem aos fotógrafos lambe-lambe: aqueles fotógrafos de praças dos anos 1940 e 1950 – na época usavam uma câmera enorme, em formato de caixa. Uma caixa de fotografias. “Foto”, “grafia”. Significa grafias com a luz.

Hoje as caixas narram não apenas com a luz, mas com técnicas de animação que envolvem panos, sombras, sucatas e o que mais o artista achar necessário para contar sua narrativa. No meio da praça eles oferecem um pequeno espetáculo e o público simplesmente o espia por meio de uma fresta.

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Quem me ensinou tudo isso foi a Iasmim Marques e o Tiago Almeida, responsáveis pelo curso que rolou no Grupo Girino. Eles já perambularam pelo Brasil, Chile e Argentina com suas caixas. Inclusive me convidaram gentilmente para ir ao Parque Municipal, em Belo Horizonte, onde o Coletivo sempre se apresenta no segundo domingo do mês.

O local foi escolhido como forma de reafirmar a ocupação do espaço público e também por ficar em uma área central belo-horizontina, o que ajuda a evidenciar a cultura do teatro lambe-lambe. De fato, a visita ao Coletivo é uma experiência maravilhosa e lúdica.

Pelo valor simbólico de R$2 por apresentação, é possível contribuir com o Coletivo e prestigiar um pequeno universo fantástico dentro de uma caixa. E mesmo os transeuntes do parque que não param para ver o espetáculo são impactados pela beleza de cada uma das caixas: são pequenas joias cenográficas.

De todas as caixas que somos feitos, as caixas de lambe-lambe do Coletivo EmCaixa foram uma das mais singelas e delicadas que me tocaram. Afinal, estou farto de caixas que não são libertação e também de narrativas que não me encaixo.

(Crédito das imagens: Adolfo Caboclo)

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